CAMPANHA CONSTITUINTE 1986
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| Não basta repudiar o mal, é preciso combatê-lo; não basta desejar o bem, é preciso construí-lo. |
Desde que o poder político foi retirado do povo, em 1964, a atividade dos homens públicos passou a ter uma imagem pessimista e de pouco valor moral.
Nossos verdadeiros líderes estavam mortos, banidos, presos ou emudecidos, e “político” passou a ser uma pessoa mal vista, principalmente por conviver com instituições falsas e más, cruéis para o povo e nocivas ao Brasil.
Hoje há uma nesga de luz de esperança, há uma ponte entre o nosso abismo e um possível futuro onde a Razão e o Bem, através da DEMOCRACIA, restituam ao povo brasileiro a Paz, que é a sua Vocação, e a Prosperidade que é o direito que lhe propicia este país de incomensuráveis riquezas naturais, povoado de gente generosa e pacífica.
O Congresso Nacional Constituinte é o instante fundamental desse sonho dos brasileiros.
Advogado e professor há quase três décadas, vivendo intensamente o drama do povo brasileiro, senti-me convocado a participar, especialista que sou, da elaboração de nossa futura Constituição.
Para isso preciso de seu apoio e peço seu voto.
Será uma tarefa árdua, que exigirá técnica, muita independência, muita lealdade. Dela resultará uma lei, a Lei Suprema dos brasileiros.
Sendo uma lei, a Constituição será um texto cheio de palavras complicadas para a maioria de nós. Mas espero poder fazer com que ela se resuma na mais sublime expressão que já se viu:
“Ama teu próximo como a ti mesmo”.
Marçal Etienne Arreguy.
SAUDADE DO MARÇAL
Em 1972 tive o privilégio e a rara felicidade de conhecer o advogado, criminalista, professor, poeta, músico, orador inflamado - algumas de suas facetas e exemplos de marcante personalidade - uma das grandes inteligências do século XX.
Seu coração era generoso, magnânimo. Ajudava a todos, com prazer, presteza e profundo afeto. Não direi que fosse solitário, mas desesperava-se em momentos de melancolia, de nostálgico pensar.
Boêmio inveterado, apaixonado pelo viver e pela noite sombria (triste e melancólica noite de estrelas, doce e orvalhada noite!), esqueceu-se da saúde e partiu prematuramente. Deixando amarguras e amores, foi ao encontro do Amor Maior. Desligou-se do mundo para alcançar a bem-aventurança e a Eternidade.
Tinha muitos grupos de amigos, e um desses grupos era assim formado: Ildeu, Leitinho, Robério e eu. Sempre dele nos lembramos, com um misto de mágoa e profundo sentimento, mágoa da partida e sentimento de recordações.
Encontrávamos em seu sítio, quando revelava amplamente a sua face seresteira, de violonista, declamante de poemas, entoador das mais lindas canções.
Lembramo-nos, a propósito, de Drummond: "Que cavaleiro andará por aí, na noite, sobraçando petições e estrofes, brigando com os ventos, defensor quixotesco do direito dos pobres? A um clarão reconheço-o". É Marçal, é o poeta, é o homem, é a saudade dele entre nós...
*ALFREDO CAMPOS PIMENTA
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